Uma combinação inusitada e profundamente enraizada na cultura do Sul acaba de ganhar reconhecimento nacional. A picanha defumada com erva-mate, desenvolvida por uma agroindústria de Canoinhas, no Planalto Norte catarinense, recebeu o Selo Arte, certificação que autoriza a comercialização em todo o território brasileiro.
O corte nobre, já valorizado na gastronomia, ganha uma nova camada de sabor ao ser curado com a planta considerada “ouro verde”, símbolo da região. O resultado é uma carne com perfil aromático marcante, que une técnicas de defumação lenta à identidade cultural local.
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A conquista é do Don Agos Defumados, que recebeu acompanhamento técnico do SIM (Serviço de Inspeção Municipal) e validação da Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina).
O que muda com o Selo Arte
A certificação atesta que o produto segue rigorosos padrões sanitários e de qualidade, mesmo sendo de origem artesanal. Na prática, isso abre portas para que a picanha defumada ultrapasse fronteiras estaduais e alcance novos mercados consumidores.
O processo de validação envolve acompanhamento técnico e adequações às normas exigidas, com participação de órgãos de inspeção e fiscalização agropecuária. Para pequenas agroindústrias, o selo representa não apenas um reconhecimento, mas também uma oportunidade de expansão.
Defumação lenta e sabor que não se apressa
Mais do que um produto, a picanha com erva-mate carrega um método de preparo que valoriza o tempo e a técnica. A defumação é feita de forma gradual, utilizando lenhas selecionadas, o que garante profundidade de sabor e textura diferenciada.
A erva-mate, utilizada na cura, imprime características únicas ao corte, criando uma experiência gastronômica que foge do convencional e dialoga diretamente com a cultura do Sul do país, especialmente em Canoinhas, a “capital da erva-mate de Santa Catarina”.
Por trás da produção está uma história de mudança de vida e resgate de origens. O responsável pela agroindústria é o engenheiro florestal Agostinho, conhecido como “Don Agos”, que virou pitmaster, churrasqueiro especialista na técnica de defumação (barbecue americano/texano).
“Eu larguei o serviço público. Saí da zona de conforto. E fui atrás do que me fazia sentir vivo: a defumação. Cresci vendo meu pai curar linguiças no interior. Aquele cheiro de fumaça, a paciência no preparo, o orgulho de servir algo feito com as próprias mãos. Isso ficou gravado em mim”, disse.
Ele transformou lembranças da infância em um empreendimento consolidado. “Não é só defumar. É respeitar o tempo da carne. É deixar a fumaça fazer seu trabalho devagar, sem pressa”.
O reconhecimento da picanha defumada com erva-mate acompanha uma tendência crescente no Brasil: a valorização de alimentos artesanais com identidade regional. Produtos que contam histórias e carregam tradição ganham espaço entre consumidores em busca de qualidade e autenticidade.
Com o novo selo, a expectativa é de que o corte conquiste não apenas churrasqueiros exigentes, mas também chefs e apreciadores da boa carne em todo o país.

