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Seminário na Alesc debate preservação e potencial turístico do Caminho do Peabiru em Santa Catarina

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Na língua Tupi-Guarani, Peabiru (ou peabirú) significa “caminho gramado” ou “trilha batida pelo povo”. Essa rota ancestral, formada de trilhas pré-colombianas, que atravessava a América do Sul antes da chegada dos europeus, pautou a primeira edição do Seminário Catarinense do Caminho do Peabiru, que aconteceu nesta sexta-feira (24), no Plenarinho Deputado Paulo Stuart Wright, no Palácio Barriga Verde, na Capital.

 

O evento reuniu especialistas, pesquisadores, lideranças indígenas e representantes da sociedade civil para discutir a preservação, valorização cultural e o potencial turístico da rota ancestral do Caminho do Peabiru.

 

Promovido pela Escola do Legislativo da Alesc, em parceria com o mandato do deputado Marquito (Psol), o evento teve como prioridade ampliar o debate sobre a importância histórica do Caminho do Peabiru, reforçando a necessidade de reconhecimento como patrimônio histórico-cultural e explorando seu potencial para o turismo sustentável.

 

A abertura do evento contou com a presença do deputado Marquito, presidente da Comissão de Meio Ambiente da Alesc, além das lideranças indígenas Kerexu Yxapyry e Karaí Yvydju.

 

Em um momento simbólico, os trabalhos foram iniciados com um canto religioso do povo Guarani, entoado em silêncio e com o público de pé.

 

Durante sua fala, Marquito destacou que qualquer proposta de implementação de rota turística deve, necessariamente, passar pelo diálogo com os povos originários e a comunidade científica.

 

O parlamentar ressaltou que o tema é alvo de disputas históricas e territoriais, inclusive com discussões sobre o traçado original do caminho em Santa Catarina, envolvendo municípios como São Francisco do Sul, Joinville e a região do Rio Itapocu.

 

 

Segundo Marquito, a iniciativa também busca incentivar a difusão do conhecimento sobre a história pré-colonial e fortalecer ações educativas e culturais relacionadas à presença indígena na formação do território catarinense.

 

A líder indígena Kerexu Yxapyry, também conhecida como Juliana Kerexu, destacou a importância do seminário como espaço de visibilidade e reflexão, especialmente durante o chamado “Abril Indígena”.

 

“Esse evento traz luz à questão indígena em Santa Catarina. É um espaço importante de escuta e de construção, que vai além das datas simbólicas e trata da realidade dos povos indígenas hoje”, afirmou.

 

Já Karaí Yvydju, batizado como Vanderlei Cardoso Moreira, enfatizou a relevância da ancestralidade e da preservação da memória histórica.

 

“Trazer essas memórias é fundamental. O Caminho do Peabiru representa uma grande caminhada que venho pesquisando há mais de 30 anos, uma herança que recebi do meu pai, um grande líder”, relatou, destacando que esse é um caminho de luz.

 

“Vamos abrir um caminho de luz”.

 

Desafio é consolidar patrimônio histórico e potencial turístico

O seminário buscou ser esse espaço de diálogo intercultural e construção coletiva sobre o traçado do Caminho do Peabiru em Santa Catarina.

 

Há evidências de que ramais do caminho cruzavam o estado, com destaque para o município de Barra Velha, onde está localizado o Parque Municipal Caminho do Peabiru, considerado um dos pontos que reforçam o potencial turístico e cultural da rota.

 

Além da preservação histórica, o evento também abordou temas como turismo responsável, educação patrimonial e desenvolvimento local, buscando integrar valorização cultural com oportunidades econômicas para as comunidades.

 

A programação foi dividida em quatro mesas-redondas ao longo do dia. Pela manhã, o debate iniciou com o tema “Povos Originários e sua Relação com o Caminho do Peabiru”, com participação de especialistas e mediação de Walderes Almeida.

 

À tarde, os painéis abordaram a pesquisa historiográfica e arqueológica, além dos potenciais culturais e turísticos da rota, encerrando com uma mesa de encaminhamentos e debate aberto.

 

O Caminho do Peabiru é considerado uma das mais importantes redes de trilhas pré-colombianas da América do Sul, com relevância histórica, arqueológica e cultural. Estados como Paraná e São Paulo já avançaram na estruturação turística da rota. Em Santa Catarina, especialistas apontam a necessidade de aprofundar estudos e definir estratégias para sua valorização.

 

 

O que é o Caminho do Peabiru?

É uma rede ancestral de trilhas pré-colombianas que cruzava a América do Sul antes da chegada dos europeus.

 

Qual o objetivo do seminário?

Debater preservação, valorização cultural e potencial turístico da rota em Santa Catarina.

 

O que está em discussão no estado?

Reconhecimento do caminho como patrimônio histórico-cultural e estratégias para turismo sustentável.

 

Por que os povos originários são centrais nesse debate?

Porque o caminho está ligado à presença e à história indígena, que deve orientar qualquer proposta futura.