Comarca de Canoinhas está há 50 anos sem eleger deputado federal
COLUNA DE DOMINGO A comarca de Canoinhas não tem deputado federal eleito desde 1975. O último foi Aroldo Carneiro de Carvalho, que cumpriu nada menos que quatro mandatos consecutivos a partir de 1960. Em 1980, Acácio Pereira, um dos fundadores do PSDB na cidade seis anos mais tarde, assumiu a suplência por um ano. Ironicamente, mesma posição que Norma Pereira, sua nora, ocupou, pelo PSDB, por um mês, em 2023. Se considerarmos um mandato como eleito de fato, o hiato é de precisos 50 anos.
Eis que neste ano icônico, surge um novo nome. Prefeito de Três Barras por dois mandatos, Elói Quege acaba de anunciar a troca do PP pelo MDB e vai disputar uma vaga no Congresso Nacional. Conta a seu favor a possibilidade bem premente de que será candidato único da comarca, com potencial de somar mais de 50 mil votos, considerando as quatro cidades que a compõem – Canoinhas, Três Barras, Major Vieira e Bela Vista do Toldo. Em um mundo justo e perfeito, seria isso, mas como sabemos, os paraquedistas estão prontos para tomar nossos votos em troca de promessas que se vão com o vento tão logo os chamados “de fora” se elegem. Não que eles se esqueçam totalmente da região, mas como sempre escrevo, existe a cidade dos R$ 300 mil e existe a cidade dos milhões.
Explico: deputados com base em uma cidade diferente das nossas, joga milhões no seu principal reduto eleitoral, ao passo que verbas de R$ 150 mil a R$ 300 mil são enviadas para as cidades nas quais foram mais votados depois do seu reduto. Basta pesquisar pra ver: quantas verbas carimbadas por quem tirou votos de Norma Pereira em 2022 vieram para Canoinhas? Os “de fora” somaram mais de 20% dos votos dos canoinhenses.
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Quando digo que Quege deve correr sozinho na comarca é um bom sinal. Ainda tomando por base 2022, Norma era a candidata mais competitiva, mas perdeu 16% dos votos para Saulo Sabatini e Chicão Caminhoneiro. Não há nada que impeça quem quiser ser candidato, mas os possíveis adversários de Quege deveriam refletir sobre isso.
Conta em seu desfavor o fato de ter sido adiada para 2030 a ampliação no número de deputados federais conforme a recontagem populacional do Censo 2022. Se valesse em 2016, Santa Catarina passaria de 16 para 20 deputados federais.
Conta a favor de Quege, uma boa penetração política nas esferas estaduais (a filiação no MDB foi considerada um acerto) e nacionais (o fato dele e de sua esposa, Ana Claudia Quege, como prefeita, não criticarem o governo federal, o que já rendeu milhões de reais em investimentos da União em Três Barras). Há boa aceitação ao seu nome nas cidades da comarca, porém, a disputa é ambiciosa e arriscada. Norma, com ótima aceitação em Canoinhas, que o diga.