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Fim do ‘efeito canguru’: radar na BR-101 calcula velocidade média e identifica quem freia antes do equipamento

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Sistema calcula tempo de deslocamento entre equipamentos e pega quem freia na frente da câmera e acelera em seguida

 

 

Foto Efeito canguru

Foto Divulgação

 

Os motoristas que costumam pisar no freio apenas quando enxergam um radar podem ter o comportamento identificado por uma nova tecnologia. Em vez de verificar somente a velocidade registrada em um único ponto, o radar na BR-101 de velocidade média acompanha o deslocamento do veículo por vários quilômetros.

 

Na prática, o sistema de radar descobre se o condutor respeitou o limite durante todo o percurso. Reduzir a velocidade diante do radar e acelerar novamente metros depois deixa de ser suficiente para escapar do monitoramento.

 

Conteúdos em alta

Implantado pela concessionária Ecovias Capixaba no Norte do Espírito Santo (entre os km 102 e 125), o projeto  com o radar na BR-101 tem caráter educativo porque a modalidade depende de regulamentação do governo federal.

 

Como funciona o radar na BR-101 que mede a velocidade média?

O funcionamento do radar na BR-101 de velocidade média difere dos aparelhos convencionais. Quando um veículo passa pelo primeiro ponto de monitoramento, o sistema grava o horário exato e a placa. Quilômetros à frente, outro equipamento identifica o mesmo automóvel.

 

Ao cruzar a distância exata da pista com o tempo gasto no deslocamento, a tecnologia calcula a velocidade desenvolvida.

 

Se a média for superior ao limite da via, o radar na BR-101 de velocidade média aponta que o condutor acelerou acima do permitido entre os aparelhos, mesmo tendo passado devagar em frente às câmeras. O hábito de desacelerar na câmera e correr em seguida é conhecido como “efeito canguru” por especialistas.

 

Flagrante de condutor a 124 km/h em trecho de 60 km/h

Os testes no Espírito Santo comprovaram a disparidade entre a medição pontual e o acompanhamento do radar na BR-101 por trecho. Em um dos casos, uma picape registrou média de 124 km/h em um trecho delimitado em 60 km/h, na região da Reserva Biológica de Sooretama. O motorista não passou pelos radares fixos acima do limite, mas acelerou forte no espaço intermediário.

 

Em operações educativas com a PRF (Polícia Rodoviária Federal), o radar na BR-101 de velocidade média identificou que cerca de 10% dos veículos analisados superaram a velocidade máxima permitida. Do total de infratores, mais da metade rodava a velocidades 50% superiores ao limite do trecho.

 

O radar na BR-101 de velocidade média já pode multar?

Atualmente, a resposta é não. Para emitir uma infração de trânsito válida com base na velocidade média, o Contran (Conselho Nacional de Trânsito) precisa publicar uma regulamentação específica que valide a metrologia do cálculo por trecho. A Resolução CONTRAN nº 798/2020 autoriza apenas a fiscalização pontual.

 

Contudo, os radares convencionais do trecho seguem ativos. Se o condutor for flagrado acima de 50% do limite no ponto exato de qualquer medidor homologado, responderá por infração gravíssima (Artigo 218, III do CTB), sujeita a multa de R$ 880,41 e suspensão do direito de dirigir.

 

Apesar da restrição para autuações, a expansão do radar de velocidade média na BR-101 sinaliza como as rodovias brasileiras se preparam para o futuro da fiscalização inteligente.

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