Vírus invade 90 sites de compras do Brasil e troca QR Code do Pix na hora do
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Foto: Reprodução/ND Mais
Um novo golpe do Pix consegue trocar o QR Code de pagamento de lojas virtuais no momento em que o cliente finaliza a compra. A fraude acontece de forma silenciosa e desvia o dinheiro para contas de criminosos.
O vírus foi descoberto em 1º de setembro pelo pesquisador de segurança conhecido como eremit4. A Kaspersky confirmou a ameaça e identificou 90 sites de comércio eletrônico infectados no Brasil. Os sites são, principalmente, de pequeno e médio porte e usam a plataforma Magento.
O vírus invade o site da loja e substitui o QR Code legítimo por um código controlado pelos criminosos. A troca ocorre na hora do pagamento e não deixa alterações visíveis na página.
O Pix Copia e Cola também pode ser modificado. Assim, mesmo quem compra pelo celular pode acabar enviando o dinheiro para os golpistas.
Segundo informações da Folha de S. Paulo, o pesquisador chamou a fraude de um novo “magecart brasileiro”, em referência a ataques usados para roubar dados de cartões em sites de compras.
A diferença é que, neste caso, o criminoso infecta o site da loja, e não o computador ou celular do consumidor. Com isso, todos os clientes que acessarem uma página comprometida podem ficar expostos.
Segundo Fabio Assolini, diretor da equipe de investigação da Kaspersky na América Latina, a alteração do QR Code não apresenta sinais visuais para o consumidor.
A Kaspersky encontrou 90 lojas virtuais infectadas pelo golpe do Pix no Brasil. Alguns comerciantes perceberam o problema pelo aumento das desistências de compras e passaram a informar o CNPJ e o nome da empresa para facilitar a conferência do pagamento.
Outros adotaram plataformas de pagamento terceirizadas.
Como evitar o golpe do Pix
A principal recomendação é conferir o destinatário antes de confirmar o Pix.
No aplicativo do banco, verifique o nome do recebedor e o CNPJ. Se os dados não tiverem relação com a loja, interrompa o pagamento.
Em lojas pequenas, o Pix pode aparecer no nome do proprietário, e não no nome fantasia da empresa. Por isso, é importante conferir os dados disponíveis antes de concluir a transferência.
O uso de antivírus atualizado também pode ajudar a identificar atividades suspeitas.
Vírus também pode roubar dados do cartão
O problema não se limita ao Pix. O mesmo vírus pode capturar dados do cartão de crédito quando essa opção é escolhida na loja.
Nesse caso, o pagamento chega normalmente ao comerciante, mas os dados podem ser usados pelos criminosos posteriormente.
Uma forma de reduzir o risco é utilizar cartões virtuais temporários, cujos dados podem ser descartados depois da compra.
Caí no golpe do Pix. O que fazer?
Quem perceber que caiu na fraude deve entrar em contato com o banco o mais rápido possível e solicitar o Mecanismo Especial de Devolução (MED).
O pedido pode ser feito pelo aplicativo da instituição, na área do Pix, geralmente pela opção de contestação da transação.
O cliente deve selecionar o pagamento, informar que se trata de golpe ou fraude e seguir as orientações do banco. Também pode anexar documentos, como boletim de ocorrência e capturas de tela.
O prazo para solicitar o MED é de até 80 dias, mas a recomendação é não esperar. Os criminosos podem transferir o dinheiro rapidamente para outras contas, dificultando a recuperação.
O Banco Central recomenda registrar a contestação mesmo quando a recuperação do dinheiro não é garantida. As informações podem ajudar os bancos a identificar contas usadas nas fraudes.
Como os lojistas podem se proteger
A Kaspersky recomenda que os comerciantes:
mantenham o Magento atualizado;
usem senhas fortes e exclusivas;
monitorem o site regularmente;
utilizem ferramentas de segurança para identificar comportamentos suspeitos.
A proteção é importante porque o ataque acontece diretamente no site. Se a página estiver comprometida, vários clientes podem ser atingidos pelo mesmo golpe.