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Suspeita de corrupção faz Blumenau cancelar contratos de R$ 68 milhões na segurança escolar

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Blumenau cancelou contratos de R$ 68 milhões com as empresas responsáveis pela segurança nas escolas e creches após suspeita de corrupção revelado pela operação Sentinela. O anúncio aconteceu em uma coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira (8).

 

 

Ao todo, são três contratos rescindidos. Um de R$ 14 milhões, outro de R$ 32 milhões e o terceiro contrato de R$ 22 milhões, somando contratos de R$ 68 milhões. “Se alguém se aproveitou de um momento tão sensível que a cidade vivia, se alguém usou em benefício  próprio, tem que pagar”, falou na coletiva de imprensa do prefeito de Blumenau, Egidio Ferrari.

 

Segundo a prefeitura, a empresa será notificada e encerrará os contratos até o dia 26 de junho. Ainda foi aberta uma licitação nesta segunda-feira (8) em caráter de urgência para a contratação de uma empresa para serviços de limpeza e manutenção e outro para a contratação de seguranças.

 

A licitação prevê contratos novos que terão vigência de seis meses inicialmente para porteiros nas escolas. Posteriormente o contrato será avaliado.

 

Uma portaria também será lançada, sem data definida, para fazer o cadastro de pais e responsáveis. Além disso, será a Central de Monitoramento terá reconhecimento facial até 2027, segundo o prefeito de Blumenau.

 

“A meta é que até início de 2027, tudo esteja instalado. Além de catracas inteligentes com reconhecimento facial, para construir um sistema de segurança mais moderno e eficiente. Também foi anunciada a criação de duas comissões para rever os fatos.

 

Contratos de R$ 68 milhões e suspeita de corrupção

 

A investigação aponta que os contratos ligados à segurança escolar ultrapassaram R$ 42 milhões entre 2023 e janeiro de 2026. O Ministério Público estima prejuízo de aproximadamente R$ 3,8 milhões aos cofres públicos e suspeita de corrupção.

 

Enquanto Blumenau ainda tentava lidar com o trauma provocado pelo ataque à creche Cantinho Bom Pastor, em abril de 2023, empresários e agentes públicos teriam transformado o momento de dor coletiva em oportunidade para negociar contratos milionários sob suspeita de corrupção e propina, segundo investigação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

 

A apuração faz parte da Operação Sentinela, conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas), que investiga fraudes em contratos de segurança escolar, pagamento de propina, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

 

O caso ocorreu poucos dias depois do ataque que matou quatro crianças dentro da unidade de ensino e deixou outras cinco feridas. A tragédia provocou comoção nacional, levou pais a questionarem a segurança nas escolas e pressionou a prefeitura por respostas rápidas.

 

Nesse cenário de medo e luto, a administração municipal iniciou uma corrida para contratar vigilância armada nas unidades de ensino. Segundo o Ministério Público, foi justamente nesse contexto que surgiu o esquema investigado.

 

Conversas chamaram atenção dos investigadores

Entre os elementos reunidos pela investigação estão trocas de mensagens consideradas suspeitas pelo Ministério Público.

 

Em uma delas, um dos investigados afirma que “ficou somente o nosso amigo na licitação”. Na sequência, recebe a resposta: “acho que vou até te levar um café”.

 

Para os promotores, a conversa pode indicar negociação de propina relacionada ao contrato público.

 

As investigações também apontam que o grupo teria continuado acumulando contratos ligados à segurança escolar nos anos seguintes, enquanto Blumenau ainda lidava com os efeitos emocionais da tragédia.

 

Dinheiro em envelopes dentro de frigobar

 

 

Além das suspeitas de fraude nos contratos, a Operação Sentinela também investiga um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis.

 

Segundo o Gaeco, empresas investigadas realizavam pagamentos por meio de notas fiscais consideradas simuladas. Depois disso, o dinheiro seria sacado em espécie e distribuído aos envolvidos.

 

Uma das imagens consideradas centrais na investigação mostra envelopes com dinheiro guardados dentro de um frigobar. As fotografias foram encontradas em celulares apreendidos durante a operação.

 

“Nós encontramos fotos dos envelopes em um dos celulares. O valor da nota fiscal era exatamente o mesmo que estava guardado dentro do envelope”, afirmou o promotor.

 

Ligações com outras operações

Os investigados na Operação Sentinela também aparecem em outras duas apurações conduzidas pelo Gaeco em Blumenau: a Operação Ponto Final, que investiga supostas irregularidades em obras públicas, e a Operação Arbóreo, ligada a suspeitas de propina em contratos de merenda escolar.

 

Segundo o Ministério Público, o grupo atuava de forma estruturada e cada integrante teria função específica dentro do esquema.

 

Até o momento, mais de 70 pessoas já foram ouvidas entre testemunhas e suspeitos pela suspeita de corrupção. O Gaeco ainda analisa celulares, computadores e documentos apreendidos durante a operação.

 

A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 3,8 milhões nas contas dos investigados para garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos em caso de condenação.

 

Para os investigadores, porém, o que torna o caso ainda mais delicado é o momento em que tudo teria acontecido: enquanto famílias tentavam superar a morte de crianças e a cidade buscava recuperar a sensação de segurança dentro das escolas.

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