Calor aumenta risco de acidentes com animais peçonhentos em Santa Catarina
Com o aumento das temperaturas e a maior circulação de pessoas em áreas verdes, os acidentes com animais peçonhentos seguem como um alerta constante em Santa Catarina. Dados do Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Santa Catarina (CIATox/SC), ligado à Secretaria de Estado da Saúde (SES), mostram que, em 2025, foram registrados 6.186 atendimentos relacionados a esse tipo de ocorrência. A maior parte dos registros ocorre em períodos mais quentes e antes ou após chuvas prolongadas, quando esses animais estão mais ativos.
No Norte do Estado, as serpentes lideram a lista dos animais peçonhentos mais comuns. Jararacas, jararacuçus e cobras-corais aparecem com frequência, favorecidas pelo clima da região. Em épocas específicas do ano, especialmente no verão, também há registros de escorpiões. A informação é do professor Vinicius Dalle-Court, médico-veterinário e orientador do Grupo de Estudos de Animais Silvestres da UniSociesc, que destaca que o aumento da atividade desses animais está ligado à maior oferta de alimento e ao período reprodutivo das espécies.
Os riscos não se limitam aos humanos. Animais domésticos, como cães e gatos, também estão suscetíveis a acidentes. Segundo o professor, isso ocorre porque esses pets mantêm o instinto de caça. Ao se depararem com uma serpente ou escorpião, tentam atacar, o que provoca a reação defensiva do animal peçonhento. Dependendo da espécie, do local da picada e da quantidade de veneno inoculada, o acidente pode ser grave e até fatal. “É praticamente natural quando um gato ou um cão avista uma serpente ou um escorpião tentar fazer a predação. A serpente vai se defender, e essa defesa pode resultar em morte, dependendo da situação”, alerta o professor.
A prevenção começa pelo manejo adequado dos ambientes. Quintais limpos, sem entulho, restos de madeira, telhas, pneus ou acúmulo de lixo, reduzem significativamente a presença desses animais. Isso porque locais desorganizados atraem roedores, anfíbios e insetos, que servem de alimento para serpentes e escorpiões. Além disso, frestas em paredes, sapatos deixados no chão e materiais empilhados funcionam como abrigo, oferecendo calor e proteção. “Esses animais acabam entrando no quintal porque encontram abrigo, calor e alimento disponível. Um tijolo, uma telha ou até um sapato viram esconderijo”, destaca o especialista.
Em áreas rurais, propriedades próximas a matas ou locais de trabalho com vegetação densa, os cuidados precisam ser redobrados. A orientação é sempre verificar os calçados antes de usá-los, bater botas e sapatos para conferir se não há animais no interior e evitar colocar as mãos diretamente sob tábuas, pedras ou folhas. O uso de equipamentos de proteção individual, como botas de cano alto, perneiras e luvas, é fundamental para reduzir o risco de picadas.
Em caso de acidente ofídico, a recomendação é clara: não fazer torniquete, não tentar sugar o veneno e não aplicar substâncias caseiras. O local da picada deve ser lavado apenas com água e sabão, e a vítima deve procurar atendimento médico imediatamente. A rede de saúde de Santa Catarina conta com soro antiofídico, capaz de neutralizar o veneno quando administrado corretamente. Sempre que possível, a identificação do animal ajuda no tratamento, mas isso deve ser feito com segurança. Fotografar o animal com o celular é suficiente; tentar capturá-lo ou levá-lo ao hospital aumenta o risco de novos acidentes.
Além das serpentes, Santa Catarina registra acidentes com aranhas, como a marrom e a armadeira, escorpiões amarelo e marrom, lagartas do gênero Lonomia e algumas espécies aquáticas, como arraias e águas-vivas. Em todos os casos, a orientação é buscar avaliação médica imediata.
O CIATox/SC funciona 24 horas por dia e oferece atendimento gratuito pelo telefone 0800-643-5252, prestando orientações à população e aos profissionais de saúde. A combinação entre informação, prevenção e atendimento rápido segue sendo o caminho mais eficaz para reduzir a gravidade dos acidentes com animais peçonhentos no Estado.